quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Carta das Agroflorestas e Frutas Nativas do RS 2012
http://inga.org.br/carta-seminario_agroflorestas_frutas_nativas_2012.pdf
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Irrigação por gotejamento
http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=20643&secao=Irriga%E7%E3o%20e%20Pulveriza%E7%E3o
A irrigação é uma técnica milenar que se confunde com o desenvolvimento e prosperidade econômica dos povos, pois muitas civilizações antigas se desenvolveram em regiões áridas onde a produção só era possível graças à irrigação. A história demonstra que a irrigação sempre foi um fator de riqueza, prosperidade e, consequentemente, de segurança.
Com o avanço das tecnologias de irrigação e a demanda cada vez maior de água pelas atividades humanas, acentuou-se a busca por métodos mais eficientes, que consumam menos recursos e forneçam melhores resultados em produtividade e qualidade. Desta forma, a irrigação por gotejamento tem ganhado espaço, principalmente nos últimos 15 anos. Abaixo, na Figura 01, observa-se a eficiência obtida com os principais métodos de irrigação usados atualmente no mundo.
Neste ambiente árido e dependente de um método eficiente no uso da água, foi inventado o primeiro emissor para irrigação por gotejamento no mundo pelo Eng. Simcha Blass. E, em 1965, em conjunto com o Kibbutz Hatzerim, foi fundada a Netafim Companhia de Irrigação, em Israel.
Deste então, os emissores passaram por um intenso desenvolvimento tecnológico que permitiu o avanço do gotejamento para além das fronteiras de Israel, fazendo-o ganhar espaço em todo o mundo, representando a melhor solução tecnológica para o uso eficiente de água, energia e insumos. Na Figura 02, destaca-se o primeiro gotejador e sua linha e evolução.
Atualmente, estima-se que o suprimento de água doce disponível seja utilizado na proporção de: 70% na agricultura, 20% na indústria e 10% nas cidades para consumo humano. Observa-se que há muito espaço a ser avançado pela irrigação por gotejamento para que as atividades humanas continuem crescendo atendendo à demanda de alimentos em quantidade e qualidade sem esgotar os recursos hídricos, o avanço tecnológico e estas necessidades têm popularizando cada vez mais a irrigação por gotejamento.
Características da Irrigação por Gotejamento
A irrigação por gotejamento é um método muito peculiar e suas principais características e benefícios estão descritos abaixo:
Aplicação da água
Na irrigação por gotejamento, a água é aplicada de forma pontual através de gotas diremente ao solo. Estas gotas, ao infiltrarem, formam um padrão de umedecimento denominado “bulbo úmido”. Estes bulbos podem ou não se encontrar com a continuidade da irrigação e formar uma faixa úmida, outro termo técnico utilizado em irrigação localizada por gotejamento (observar nas figuras 03 e 04).
Muitas dúvidas surgem a respeito desta característica dos sistemas de gotejamento, nas quais se questiona se é necessário um gotejador por planta. Na realidade, neste tipo de tecnologia de irrigação, o solo tem papel fundamental na distribuição da água e, portanto, suas características físicas e de estrutura irão definir se o projeto de gotejamento terá um gotejador por planta, mais do que um ou até menos do que um.
Em irrigação por pulsos, tecnologia de gotejamento em desenvolvimento no Brasil, pode-se admitir a formação de bulbos sem haver a faixa úmida. Nestes sistemas, o controle de umidade e nutrição destes bulbos dee ser mais cuidadosa e o uso de sensores de umidade do solo para manejo de irrigação é obrigatório.
Em projetos de irrigação de espécies florestais e seringueira, pode-se admitir o sistema com formação de bulbos, pois a planta tem sistema radicular muito profundo e a reposição da umidade em área reduzida será eficiente, apesar de sempre se buscar a faixa úmida como primeira opção de concepção de projeto.
Na Figura 05, destaca-se que o tipo de solo (textura e estrutura) definem vazão e espaçamento entre gotejadores quando se decide irrigar formando faixa contínua.
Desenvolvimento Radicular
Muito se discute sobre o desenvolvimento radicular em sistema de irrigação por gotejamento. Há dúvidas que se transformam em incertezas sobre a capacidade deste sistema de suportar as necessidades de plantas perenes grandes e vigorosas, com sistema radicular bem amplo e distribuído no solo.
De fato, uma das razões de se obter maiores produtividades em irrigação por gotejamento se deve à capacidade deste sistema em irrigar uma parte do solo onde estão as raízes da planta de forma muito precisa, constante e sem expulsar todo o ar deste solo. Assim, as raízes têm sempre água facilmente disponível, nutrientes (fertirrigação) e oxigênio pois estas respiram para realizar seus processos metabólicos e de crescimento. No local da faixa úmida/bulbo, há então um grande aumento do volume e atividade das radicelas, raízes finas cuja única função é absorver água e nutrientes. O gotejamento praticamente não afeta as raízes de sustentação, que são grossas e suberinizadas, ou seja, são impermeáveis e não absorvem água e nutrientes.
Assim, plantas cultivadas com gotejamento têm maior atividade radicular (radicelas), raízes profundas e, portanto, maior produtividade e capacidade de serem manipuladas mais facilmente, pois estas radicelas na área úmida são o alvo perfeito para tratamentos hormonais, aplicação de defensivos sistêmicos ou indução de stress hídrico (déficit hídrico). A Figura 06 destaca esta característica.
Alta Frequência e Baixa Intensidade
Por irrigar uma determinada fração do volume de solo
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Carotenóides e Vit A nas Frutas Nativas do Cerrado
Frutas nativas do cerrado: qualidade nutricional e sabor
peculiar
Tânia Agostini-Costa e Roberto Fontes Vieira
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
O Cerrado destaca-se pela riqueza de sua biodiversidade, que pode ser
interpretada pela vasta extensão territorial, pela posição geográfica privilegiada,
pela heterogeneidade vegetal, e por ser cortado pelas três maiores bacias
hidrográficas da América do Sul. Os frutos das espécies nativas do cerrado
oferecem um elevado valor nutricional, além de atrativos sensoriais como, cor,
sabor e aroma peculiares e intensos, ainda pouco explorados comercialmente.
Algumas frutas nativas do cerrado, como o araticum, o buriti, a cagaita e o pequi,
apresentam teores de vitaminas do complexo B, tais como as vitaminas B1, B2 e
PP, equivalentes ou superiores aos encontrados em frutas como o abacate, a
banana e a goiaba, tradicionalmente consideradas como boas fontes destas
vitaminas. Entretanto, grande parte das frutas nativas em regiões típicas de clima
tropical é, especialmente, rica em carotenóides. Os frutos de palmeiras, como o
buriti, o tucumã, o dendê, a macaúba e a pupunha são fontes potenciais de
carotenóides pró-vitamina A.
Aproximadamente 600 carotenóides são encontrados na natureza, constituindo o
maior grupo de corantes naturais, cuja coloração pode variar entre o amarelo
claro, o alaranjado e o vermelho. Alguns podem ser convertidos em vitamina A;
outros estão associados à redução do risco de câncer e de outras doenças crônicodegenerativas, sem que estes sejam primeiro convertidos em vitamina A. Esta
última função tem sido atribuída ao potencial antioxidante dos carotenóides, que
são capazes de seqüestrar formas altamente reativas de oxigênio e desativar
radicais livres.
A Dra. Délia Rodriguez-Amaya, professora e pesquisadora da Unicamp, é
Foto: Tânia Agostini-Costa.
Araticum (Annona crassiflora Mart.)reconhecida internacionalmente pela avaliação dos alimentos brasileiros como
fontes de carotenóides. Segundo a autora, o buriti (Mauritia Vinifera) constitui
uma das principais fontes de pró-vitamina A encontradas na biodiversidade
brasileira (6.490 microgramas de retinol equivalente por 100g de polpa). O
elevado potencial pró-vitamínico deste fruto é resultado dos altos teores de betacaroteno, principal fonte pró-vitamina A encontrada no reino vegetal. Estudos
realizados pela Dra. Tânia da Silveira Agostini-Costa, pesquisadora da Embrapa,
em parceria com Dr. Daniel Barrera-Arellano, professor da Unicamp, reforçam o
potencial pró-vitamina A do buriti. Segundo trabalhos desenvolvidos por estes
pesquisadores, um grama de óleo de buriti apresentou 1.181 microgramas de
beta-caroteno, o que faz deste óleo uma das maiores fontes de pró-vitamina A
(18.339 microgramas de retinol equivalente por 100 g de óleo).
O buriti não apresenta um consumo regular em todas as regiões do Brasil; os
frutos são consumidos, principalmente na forma de sucos e doces caseiros, pela
população local de algumas áreas específicas das regiões Norte e Central. O
Professor José Guilherme Mariath e colaboradores da Universidade Federal da
Paraíba e do Instituto de Tecnologia de Pernambuco avaliaram o efeito da
suplementação alimentar com o doce de buriti sobre a manifestação clínica da
hipovitaminose A em regiões típicas do semi-árido. Os autores concluíram que a
suplementação alimentar de crianças com idade entre 4 e 12 anos com 12g de
doce de buriti por dia, durante 20 dias, foi suficiente para recuperar quadros de
hipovitaminose A, com evidências clínicas de xeroftalmia, que é um sintoma clínico
da deficiência de vitamina A caracterizado pela perda da visão. Embora o valor
pró-vitamina A do doce de buriti não tenha sido excessivamente elevado (134
microgramas de retinol equivalente), os excelentes resultados obtidos parecem
confirmar a influência positiva da composição lipídica do fruto (29%), que se
conservou no doce (6,5%), favorecendo um aumento da biodisponibilidade, ou
seja, um melhor aproveitamento dos carotenóides pró-vitamina A pelo organismo.
Além das palmeiras, outras frutas nativas do cerrado brasileiro, de consumo
regional bastante difundido, como o araticum e o pequi, também, são importantes
fontes de carotenóides. Frutos de araticum ou marolo (Annona crassiflora Mart.)
procedentes de populações nativas do sul de Minas Gerais apresentaram teores de
pró-vitamina A que variaram entre 70 e 105 retinol equivalente por 100g de polpa.
A geléia caseira de araticum, processada termicamente, conservou melhor os
teores de carotenóides, de vitamina C e o potencial pró-vitamina A do que o licor
caseiro que foi obtido por infusão alcoólica a frio. Vitaminas e antioxidantes são
altamente instáveis e susceptíveis a degradações durante o processamento póscolheita. A natureza do produto e as condições de processamento e estocagem
podem afetá-los, comprometendo a aparência, o aroma e o valor nutritivo do
alimento.
Os valores pró-vitamina A determinados no pequi (Caryocar brasiliensis)
procedentes dos estados do Piauí e do Mato Grosso do Sul, respectivamente,
variam entre 54 e 494 microgramas de retinol equivalente por 100g de polpa. A
Dra. Maria Isabel Ramos e os seus colaboradores da Universidade Federal do Mato
Grosso do Sul avaliaram o efeito do cozimento convencional do pequi sobre o teor
de carotenóides pró-vitamínicos. A polpa fatiada de pequi foi cozida com arroz, deacordo com culinária regional. Embora o cozimento tenha comprometido 25% do
valor pró-vitamínico do fruto, ainda conservou 375 microgramas de retinol
equivalente por 100g de polpa cozida, contribuindo significativamente para o
enriquecimento da dieta.
O Ministério da Saúde do Brasil tem estimulado a implementação de programas de
educação alimentar para incentivar o consumo de alimentos ricos em vitamina A e
em outros nutrientes. Muitos destes alimentos, como as frutas nativas,
apresentam custo acessível, mesmo para as populações mais carentes. O uso
sustentado destas fruteiras nativas pode ser uma excelente opção para melhorar a
saúde da população brasileira e para agregar valor aos recursos naturais
disponíveis no cerrado, melhorando a renda das pequenas comunidades rurais e
favorecendo a preservação das espécies nativas.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, S. P. & AGOSTINI-COSTA, T. S. Frutas Nativas do cerrado:
caracterização físico-química e fonte potencial de nutrientes. In: Cerrado:
ambiente e flora. Brasília: Embrapa Cerrados, Segunda edição revisada e
ampliada (no prelo).
MARIATH, J. G. R.; LIMA, M. C. C.; SANTOS, L. M. P. Vitamin A activity of buriti
(Mauritia vinifera Mart) and its effectiveness in the treatment and prevention of
xerophthalmia. American Journal of Clinical Nutrition, v. 49, n. 5, p. 849-853,
1989.
RAMOS, M. I. L.; UMAKI, M. C. S.; HIANE, P. A.; RAMOS-FILHO, M.M. Efeito do
cozimento convencional sobre os carotenóides pró-vitamínicos A da polpa do pequi
(Caryocar brasiliense Camb). Boletim CEPPA, v. 19, n.1, p.23-32, 2001.
RODRIGUEZ-AMAYA, D. B. Assessment of the provitamin A contents of foods – the
Brazilian experience. Journal of Food Composition and Analysis, v. 9, p.196-
domingo, 14 de outubro de 2012
Frutas do Cerrado...fonte Central do Cerrado
Artigos publicados em 'Frutos do Cerrado'
09.04.08
Pequi – Caryocar brasiliense Camb.
por admin
Nomes populares: pequi, piqui, grão-de-cavalo, amêndoa-de-espinho, piquiá-bravo, pequiá, pequiá-pedra, pequerim, suari e piquiá. Nome científico: Caryocar brasiliense Camb.
O pequizeiro é uma planta típica do Cerrado, que consiste num bioma de grande variedade de sistemas ecológicos, tipos de solo, clima, relevo e altitude, e com uma vegetação caracterizada por coberturas rasteiras, arbustos, árvores esparsas e tortuosas, de casca grossa, folhas largas e raízes profundas, formando desde paisagens campestres a florestas.
Com uma vida útil estimada de aproximadamente 50 anos, o pequizeiro atinge até 10 m de altura. Sua fase reprodutiva inicia-se a partir do oitavo ano, com floração ocorrendo normalmente entre os meses de setembro a novembro.
A frutificação acontece de outubro a fevereiro, produzindo frutos por 20 a 40 dias em média, com produção variável podendo chegar a 1000 frutos por pé.
Calendário de Frutificação
O fruto do pequizeiro apresenta gosto inconfundível tendo seu nome ligado às suas características botânicas, e etimologicamente ligado à língua tupi: py = casca e qui = espinho (Simões, 2005).
Contém normalmente entre 1 a 4 caroços, cientificamente chamados de putâmens. No Norte de Minas Gerais já foram encontrados frutos contendo até 7 caroços.
O caroço é composto por um endocarpo lenhoso com inúmeros espinhos, contendo internamente a semente, ou castanha, e envolto por uma polpa de coloração amarela intensa, carnosa e com alto teor de óleo.
| Parâmetros | média |
|---|---|
| Peso por fruto (g) | 76,41 |
| Peso de caroço por fruto (g) | 30,75 |
| Peso de polpa por fruto (g) | 7,41 |
| Peso das sementes por fruto (g) | 22,87 |
| Diâmetro longitudinal (mm) | 32,17 |
| Diâmetro equatorial (mm) | 41,16 |
| Rendimento de polpa (%) | 8,98 |
| Rendimento de caroço (%) | 28,81 |
| Rendimento em casca (%) | 61,66 |
| Parâmetros | Quantidade por porção de 100 g de polpa |
|---|---|
| Umidade (%) | 50,61 |
| Proteinas (%) | 4,97 |
| Gordura (%) | 21,76 |
| Cinza (%) | 1,1 |
| Fibra (%) | 12,61 |
| Carboidratos (%) | 8,95 |
| Calorias Kcal/100g | 251,47 |
| Cálcio (mg/100g) | 0,1 |
| Fósforo (mg/100g) | 0,1 |
| Sódio (mg/100g) | 9,17 |
| Vitamina C (mg/100g) | 103,15 |
Fonte:
Relatório Institucional – Núcleo de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Minas Gerais, Montes Claros, 2003.
Relatório Institucional – Núcleo de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Minas Gerais, Montes Claros, 2003.
Uma das maiores virtudes do Cerrado brasileiro é a diversidade biológica deste bioma, representado por uma série de espécies vegetais que produzem frutos utilizados na alimentação humana, podendo-se destacar o pequi. Espécies medicinais e outras plantas úteis vêm sendo largamente utilizadas no cotidiano da população local, constituindo uma reserva farmacológica, nutricional e utilitária de riqueza inigualável para os povos das regiões ocupadas pelo Cerrado (Simões, 2005).
Assim como numerosos e exuberantes estames em sua flor, múltiplos são as formas de uso e significado do pequi para esses povos.
Elemento de base da cultura alimentar de várias regiões brasileiras, o fruto do pequi, compõe receitas tradicionais, como o Arroz com Pequi, Galinhada, alguns doces, licores, sorvetes, caracterizando fortemente, junto a outras especiarias, o bouquet de sabores das culinárias regionais aonde ele se encontra.
Popularmente, seu uso fitoterápico é apontado em diversos tratamentos, pelo uso do seu óleo, flores e folhas.
Extrativismo
Ao associar a coleta do pequi a uma atividade produtiva em cadeia, com expansão do consumo além do uso próprio ou familiar, origina-se também um problema de desequilíbrio ecológico, principalmente relacionado ao ciclo de reprodução do pequizeiro e dos ecossistemas circunvizinhos à planta e à área de coleta.
O pequizeiro, gera seus frutos – e conseqüentemente suas sementes – em número suficiente e necessário para que suas características genéticas sejam prospectadas naturalmente em seu meio, e aonde mais essas sementes alcançarem.
A coleta indiscriminada dos frutos, sem controle da quantidade coletada, ou da forma como isso é feito, afeta diretamente a produtividade e a diversidade natural da população de pequizeiros presentes numa certa região, além de prejudicar a relação destas árvores com insetos, animais maiores, plantas, e outras formas de vida que com as quais elas interagem diretamente, causando um desequilíbrio ambiental em maior escala.
Algumas recomendações de boas práticas de coleta do pequi são:
- Não derrubar o fruto da árvore, muito menos utilizar varas ou qualquer outro instrumento para isso;
- Coletar somente os frutos caídos naturalmente. Estes, sim, estão no ponto de consumo;
- Não devastar a cobertura vegetal debaixo e ao redor da planta; existem outros seres em convivência natural com ela, que dependem dessa cobertura;
- Coletar frutos sadios, e deixar os frutos rachados ou abertos como reserva natural, para reprodução da planta e alimentação animal; se houver somente frutos sadios, deixe assim mesmo uma certa quantidade de reserva. A recompensa futura será muito maior;
- Somente leve os frutos. Não deixe nada que não pertença ao ambiente, como sacos plásticos não utilizados e outros tipos de lixo.
USO E APROVEITAMENTO AGROINDUSTRIAL DO PEQUI
Não obstante os problemas causados pelo extrativismo descontrolado, o avanço da fronteira agrícola no Cerrado, sob a forma de expansão de grandes lavouras monoculturais, como a soja, e a instalação, sobretudo no cerrado mineiro e baiano, de fazendas de reflorestamento de eucalipto, têm sido, numa escala escandalosamente maior, as principais ameaças ao estoque natural do pequizeiro e a toda a biodiversidade do bioma, sua água, seu solo e os povos que dele sobrevivem.
O aproveitamento do pequi sob a forma de seu processamento agroindustrial tem aberto perspectivas cada vez mais amplas e promissoras de atividade e agregação de renda por parte de agricultores familiares e extrativistas em regiões distintas do cerrado brasileiro, num esforço contínuo de preservação ambiental associado ao uso racional dos recursos naturais, espelhando as lutas contra os efeitos degradantes citados anteriormente.
Organizados por meio de associações, cooperativas e microempresas, eles têm buscado, com o apoio de organizações civis e de governos, aprimorar estruturas de produção, tecnologias e processos de beneficiamento, com um perfil mais apropriado à sua escala de investimentos, disponibilidade de matéria-prima e outros recursos naturais, e com foco na sustentabilidade ambiental.
Dentre processos tradicionais e novas tecnologias e produtos que se encontram em desenvolvimento no país, a tabela a seguir apresenta alguns usos e aproveitamentos possíveis que se podem dar ao pequi:
Publicado em Frutos do Cerrado | 11 comentários
02.04.08
Baru – Dpyteryx alata Vog.
por admin
Nomes populares: Castanha de baru, cumbaru, cumaru, castanha de burro, viagra do cerrado, coco barata, coco feijão. Nome científico: Dipteryx alata Vog
Ocorrência
Ocorrre nas matas e cerrados do Brasil Central, envolvendo terras dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Piauí, Maranhão e Distrito Federal.
Aspectos botânicos e ecológicos
Leguminosa arbórea da família Fabaceae.
Árvore de grande porte chegando a medir 25 metros de altura, podendo atingir 70 cm de diâmetro com vida útil em torno de 60 anos.
O baru está ameaçado de extinção em função da procura pela madeira e pelo nível de desmatamento do Cerrado.
Ocorre corte indiscriminado do baru para fabricação de carvão vegetal, instalação de cercas (moirões), indústria moveleira, construção civil, entre outros usos.
O baru é encontrado em terras férteis e seus ecossistemas de ocorrência têm sido massivamente desmatado em função do avanço da fronteira agropecuária sobre o Cerrado.
Crescimento rápido sendo importante para fixação de carbono da atmosfera.
Tem sua primeira frutificação com cerca de 6 anos, sendo este período bastante variado em função das condições de solo e água.
Possui safra intermitente com variações bruscas de intensidade de produção de frutos de um ano para o outro. Para efeitos práticos, relacionado a utilização comercial, produz uma safra boa a cada 2 anos.
Uma árvore adulta produz cerca de 150 kg de fruto por safra boa. Possui apenas uma semente por fruto, do qual pode se aproveitar a polpa, endocarpo e semente (amêndoa).
O tamanho do fruto varia muito de região por região, bem como em função das condições de solo, água e genética da planta. Em média o fruto pesa 25g, sendo 30% polpa, 65% endocarpo lenhoso e 5% semente.
A polpa do baru constitui importante fonte de alimento para a fauna nativa (pequenos mamíferos, roedores, pássaros, morcego, etc) e para o gado que se alimentam roendo a polpa da fruta na época da safra.
A época da floração e frutificação varia de acordo com a região, sendo que a colheita geralmente é feita após o pico de queda dos frutos maduros.
Calendário de Frutificação
Galeria de Imagens do Baru
Aplicações do baru
- Alimentação humana
- Alimentação animal
- Medicina
- Indústria cosmética
- Artesanato
- Combustível
- Indústria madereira/moveleira
- Construção civil/rural
- Adubação natural (leguminosa)
- Moirão vivo
| Parte do fruto | Produto/sub-produto | Usos |
|---|---|---|
| Polpa | Polpa in natura | Alimentação animal Alimentação humana Medicinal/farmacêutico |
| Polpa desidratada | Alimentação animal Alimentação humana Medicinal/farmacêutico | |
| Farinha | Alimentação humana | |
| Álcool/Cachaça | Consumo humano Medicinal/farmacêutico Cosmético Industrial | |
| Resíduos | Agrícola (adubo orgânico) | |
| Amêndoa | Amêndoa crua | Alimentação animal Alimentação humana Medicinal/farmacêutico Agrícola (produção mudas) |
| Amêndoa torrada | Alimentação humana | |
| Farinha | Alimentação humana | |
| Leite | Alimentação humana | |
| Óleo | Alimentação humana Medicinal/farmacêutico Cosmético Industrial | |
| Torta | Alimentação humana Medicinal/farmacêutico Cosmético Industrial | |
| Pasta/manteiga | Alimentação humana | |
| Endocarpo lenhoso | Carvão | Combustível |
| Ácido Pirolenhoso e alcatrão | Industrial | |
| Endocarpo lenhoso | Artesanato |
Qualidade nutricional da amêndoa
| Componente | g /100g |
|---|---|
| Proteína | 23,9 |
| Gorduras totais | 38,2 |
| Gorduras saturadas | 7,18 |
| Gorduras insaturadas | 31,02 |
| Fibras totais | 13,4 |
| Carboidratos | 15,8 |
| Minerais | mg/100g |
|---|---|
| Cálcio | 140 |
| Potássio | 827 |
| Fósforo | 358 |
| Magnésio | 178 |
| Cobre | 1,45 |
| Ferro | 4,24 |
| Manganês | 4,9 |
| Zinco | 4,1 |
Calorias 502 kcal/100g
Fonte:
Takemoto, E. et al. Composição química da semente e do óleo de baru (Dipteryx alata Vog.) nativo do Município de Pirenópolis, Estado de Goiás. Rev. Inst. Adolfo Lutz, 60(2):113-117, 2001.
Takemoto, E. et al. Composição química da semente e do óleo de baru (Dipteryx alata Vog.) nativo do Município de Pirenópolis, Estado de Goiás. Rev. Inst. Adolfo Lutz, 60(2):113-117, 2001.
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